O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, diz que vai ser difícil saber as motivações dos insurgentes que há cerca de dois anos têm a aterrorizado alguns distritos da província de Cabo Delgado porque não dão a cara.

Nyusi fez esta declaração em Inhambane, sul de Moçambique, dois dias depois de o grupo radical Estado Islâmico, reivindicou ter repelido um ataque do exército moçambicano, na segunda-feira, 3, naquela província.

Algumas correntes de opinião dizem que os atacantes inspiram-se no fundamentalismo islâmico, mas Filipe Nyusi põe de lado esta possibilidade, "porque os muçulmanos são pela paz".

"Os malfeitores matam pessoas e queimam casas em pleno período de ramadão, isso é contra o islão", defende o Presidente.

Em meios académicos afirma-se que algumas das dificuldades que se enfrentam quando se tenta analisar esta insurgência, sobretudo as suas motivações, têm a ver com o facto de os atacantes não darem o rosto.

Para o especialista Calton Cadeado, "é difícil falar das motivações porque não conhecemos este grupo. Como é que você define o terrorismo? Das duas uma; ou pelo método ou pelos objectivos. Andar a queimar casas e decapitar pessoas, isso é terror, mas não sabemos o objectivo porque eles não dão a cara".

No início acreditava-se que seria fácil neutralizar este grupo, mas não é o que está a acontecer, e o número de distritos atacados até tem aumentado.

Isso sugere, segundo analistas, que quem está a fazer os ataques são moçambicanos "porque haveria de ser tacticamente difícil movimentar muitos estrangeiros".

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