Os jornais de referência da Europa estiveram atentos à guerra civil portuguesa entre miguelistas e liberais e as suas fontes de informação eram correspondentes anónimos que existiam em São Miguel e Terceira, nos Açores.

O jornalista da RTP/Açores Victor Alves, que acaba de publicar o livro "Guerra Civil Portuguesa (1828-1834)", onde faz uma abordagem à forma como a imprensa internacional seguiu as lutas liberais na Terceira e no país, declarou à agência Lusa que eram os capitães das embarcações, predominantemente inglesas, que vinham aos Açores, por via do comércio da laranja, que levavam a informação.

"Eram os comandantes das embarcações que vinham para os Açores no âmbito do comércio da laranja, particularmente para São Miguel e Terceira, que levavam a informação. Esta saía em catadupa a partir de São Miguel para o estrangeiro porque havia um contacto entre a Praia da Vitória e a costa daquela ilha composta pela Ferraria, Ginetes e Mosteiros", declara o jornalista.

Segundo os historiadores, os Açores desempenharam um papel importante nas lutas liberais, sendo que a 11 de agosto de 1829 teve lugar na Terceira a maior batalha contra o miguelismo, com o exército de D. Miguel, que viria a sair derrotado, a tentar desembarcar na Praia da Vitória, com os seus 4.000 homens.

Como recompensa ao apoio dado à causa liberal, D. Maria II atribuiu, a Angra, o cognome de “mui nobre leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo” e o de “muito notável” à Praia da Vitória.

Victor Alves explica que Portugal “era um país amordaçado na altura, não possuindo jornais”, existindo apenas a Gazeta de Lisboa, que “nada mais era do que a voz do dono, um repositório de decretos, de lamúrias da corte, uma descrição de passeios do rei em Lisboa e arredores, escondendo-se o que estava a passar-se”.

De acordo com o jornalista, a informação “seguia em cartas de correspondentes anónimos que existiam em São Miguel e Terceira”, que assim “arriscavam a própria vida”, saindo para Inglaterra e França, a par da Escócia e Irlanda, com os jornais a abordarem a temática.

O jornalista, nas suas pesquisas pelos jornais europeus, constatou que a informação, a partir de 1828, sobre a situação em Portugal, começou a ser abordada “com grande intensidade”, havendo “debates muito acesos nos parlamentos desses países” sobre esta matéria, resultante da preocupação que havia sobre o Atlântico e os Açores, que eram a “chave do comércio” entre as placas europeia e americana.

Os liberais refugiados na ilha Terceira, oriundos da Inglaterra, chegaram a ser cerca de cinco mil, estimando-se que cerca de 300 navios deslocavam-se aos Açores por causa do comércio da laranja.

Victor Alves afirma que a partir de 1828, os jornais europeus “possuíam mesmo relatos semanais sobre a situação em Portugal e, particularmente na Terceira”, no que considerou ser uma “uma visão de fora para dentro" que resolveu agora partilhar em livro, além das várias teses académicas e publicações que existem sobre este período da história portuguesa.

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