A desmobilização de antigos guerrilheiros da Renamo em curso neste momento em Moçambique pode tornar-se um processo complexo e não contribuir para a reconciliação nacional, se a reintegração social não for justa e digna para eles.

Esta leitura é de alguns analistas que chamam a atenção para algumas situações que podiam ser evitadas para que a reintegração não seja dolorosa.

Para o jurista Luís Mungoi, faz pouco sentido retirar pessoas das zonas de Gorongosa, Funhalouro, Inhaminga e outras do país, onde estão numa situação confortável, para colocá-las noutros locais onde, aparentemente, se sentem deslocadas.

Ele é da opinião de que as pessoas devem ser reintegradas na sociedade lá onde elas se encontram, a menos que sejam retiradas para ocupar cargos de chefia e direcção.

Nova vida a partir do zero

Caso contrário, alerta Mungoi, “vamos criar um outro tipo de problemas, psicológicos inclusive, de desadequação das pessoas aos novos espaços porque elas têm que começar uma nova vida, praticamente do zero".

Desmobilização negligenciada em 1994

Por seu turno, Raúl Domingos, que liderou o anterior processo de desmobilização da Renamo, em tanto negociador-chefe da antiga guerrilha, defende que no atual deve ser dada particular atenção à integração económico-social.

"Este aspeto foi negligenciada no anterior processo porque a preocupação era cumprir o prazo de 18 meses, estabelecido no Acordo Geral de Paz de 1992", lembra Raúl Domingos, presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD).


Mais de 100 guerrilheiras da Renamo desmobilizadas na Gorongosa

O historiador Egídio Vaz, também considera fundamental prestar-se particular atenção à questão da reintegração social dos ex-guerrilheiros para que eles sejam úteis à sociedade, depois de terem passado mais de 20 anos no mato.

"Caso contrário, vamos ter problemas de tensões com essas pessoas que pretendem ser reintegrados na sociedade. O papel do Estado neste particular é fundamental", conclui.

Cerca de mil ex-guerrilheiros da Renamo foram já desmobilizados desde o início deste processo, no ano passado.

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