“O meu lema de vida neste momento é: “Eu consigo, Sou capaz, Basta Acreditar”. A frase é de Susete Lourenço, profissional que deixou para trás o trabalho na CMVM, para criar um projeto pessoal, a Home Optimizer. Explicou ao Link To Leaders o impacto que uma empresa organizada pode ter nos colaboradores.

Depois de uma vida profissional intensa em que começava a sentir-se pouco realizada, e que inclusivamente, a levou a ter problemas de saúde, Susete Lourenço, 46 anos, percebeu que o seu propósito de vida não passava pelo trabalho que estava a realizar.

Despediu-se e foi para casa pensar no que fazer. Foi nesse período de alguns meses que descobriu a organização profissional e que percebeu que a profissão de organizador era “comum e normal” em países como os Estados Unidos, Austrália ou Brasil.

Resolveu investir e seguir por esta área criando a Home Optimize há quase dois anos. Fez formação na International Association of Professions Career College, no Canadá, inscreveu-se na National Association of Productivity & Organizing (NAPO) e é a primeira Professional Member com a especialidade em Life Transitions, uma área de que gosta particularmente. Ao Link To Leaders falou do seu objetivo de ajudar as pessoas organizarem a sua vida pessoal e profissional para terem mais tempo, mais dinheiro e serem mais felizes e criativas.

Trabalhou sempre na organização de livros e arquivos. Trabalhou na Bolsa de Valores de Lisboa durante sete anos e depois foi responsável pela biblioteca e arquivo da CMVM durante 17 anos. Que lições retirou destas experiências?
Foram experiências profissionais e pessoais muito boas! Foram muitos anos em duas grandes empresas, com colegas maravilhosos com quem vivi e aprendi muito. Nunca na minha vida pensei que ia trabalhar em bibliotecas especializadas, sempre achei que ia trabalhar numa biblioteca pública ou universitária. Mas a vida é assim, e acabei por trabalhar numa área muito especializada que pouco conhecia.

Foi muito importante o apoio que os colegas me deram para conhecer a área do mercado de capitais e assim ter bases para criar as bibliotecas. O lado humano, também foi muito bom e importante, em especial na CMVM, onde estive mais anos. Foi durante o período que ali trabalhei que nasceram as minhas filhas, perdi os meus pais, são marcos muito importantes na vida de uma pessoa e sem o apoio dos colegas teria sido muito mais complicado. Muitas coisas que ainda faço profissionalmente são ensinamentos e aprendizagens dessa época.

Considera que o papel tem os dias contados?
Acho que não. A relação que temos com o papel é muito especial e emocional: o toque, o cheiro… O seu uso vai diminuir e vejo isso com positividade. Por um lado, facilita o trabalho em alguns setores e temos um planeta para preservar.

O que a levou a despedir-se e a dar um novo rumo à sua vida?
Tive um problema de saúde que me fez parar e perceber que já não estava feliz a fazer o que fazia e senti também que não estava a viver o meu propósito de vida, e por isso o corpo deu sinais durante algum tempo até que me fez parar mesmo.

Como descobriu a profissão de organizador profissional? Qual foi o país que a inspirou?
No período que estive em casa a descansar, vi por acaso um dia, um programa num canal da TV cabo sobre um senhor que ia a casa de pessoas que tinham excesso de coisas e conseguia ajudar essas pessoas a recuperarem a vida que tinham antes. Fiquei admirada e fascinada. Claro que vi vários episódios seguidos e depois fui para a internet procurar mais informação. Foi nesse momento que percebi que era uma profissão em vários países pelo mundo e que em Portugal existia uma Associação.

Não houve um país, que possa dizer que me tivesse inspirado, mas um organizador australiano que trabalha muito nos Estados Unidos: o Peter Walsh, o senhor da série que eu vi. Hoje estamos ligados pelo Linkedin.

Como trouxe este modelo para Portugal?
Como não havia formação certificada em Portugal, fiz o curso no Canadá e recentemente inscrevi-me na NAPO, a National Association of Productivity & Organizing a mais importante associação do mundo para continuar a fazer formação e estar informada das “tendências da organização”.

“O nosso objetivo é ajudar as pessoas a organizarem a sua vida pessoal e profissional para que tenham mais tempo, poupem dinheiro e sejam mais felizes (…)”

Em que é que consiste a Home Optimizer?
É uma empresa de consultoria na área da organização. O nosso objetivo é ajudar as pessoas a organizarem a sua vida pessoal e profissional para que tenham mais tempo, poupem dinheiro e sejam mais felizes, criativas e produtivas. Trabalhamos nas casas particulares e nos escritórios. O espaço influencia-nos muito. Gosto muito de ir às empresas e fazer workshops sobre a organização e mostrar como a organização pode mudar a vida, os relacionamentos, a produtividade, etc.

Que balanço faz destes dois anos de atividade?
Um balanço muito positivo. Está a ser um processo muito intenso, mas muito surpreendente. A área da organização não é conhecida e temos de investir muito na divulgação da área e na empresa. Tenho vários parceiros com quem trabalho e aprendo todas as semanas coisas novas. E depois os clientes que são fantásticos e acabamos os trabalhos sempre felizes e com uma relação de amizade muito especial. Alguns procuram-me posteriormente quando precisam de ajuda em algum outro aspeto da sua vida e para mim isso é muito especial. É um desafio todos os dias e isso agrada-me muito.

Quem procura a Home Optimizer?
Vários tipos de pessoas e situações, mas essencialmente pessoas que sentem que precisam de ajuda, porque perderam o controlo da casa ou porque vão mudar de casa e precisam da nossa ajuda para minorar os aspetos de uma mudança. Ou ainda pessoas que perderam entes queridos e precisam de ajuda para gerir a dor e para tratar dos objetos pessoais que foram deixados.

É a primeira Professional Member com a especialidade em Life Transitions. Em que consiste esta formação?
Penso que sou sim. Consiste uma formação especifica para ajudar pessoas em fases de transição da vida como a perda de entes queridos, divórcio, saída dos filhos de casa – “ninho vazio” como habitualmente chamo – para estudar ou viverem sozinhos, idosos que precisam de ajustamentos nas suas casas devido a limitações físicas, por exemplo, ou que vão para lares ou casas de filhos.

Que conselhos dá para que as pessoas organizem a sua vida pessoal e profissional?
Que invistam na organização porque irão sentir a vida a mudar para muito melhor. Por exemplo, organizar a despensa e planear as refeições. É um processo simples, que permite comer mais e melhor, gastamos menos dinheiro e tem benefícios para a saúde e nos relacionamentos familiares porque cria momentos agradáveis entre os membros.

Temos o exemplo de uma família com quem trabalhamos e que tinha sempre o orçamento familiar muito reduzido. Todos estavam com excesso de peso e raramente comiam em família. Com a nossa ajuda, passaram a poupar dinheiro, variavam muito nas refeições e começaram a perder peso até passarem a ser seguidos por uma nutricionista nossa parceira. O ambiente familiar também se alterou, melhorando muito, e até conseguiram passar a comer alguns dias da semana juntos. Foi um excelente exemplo de como a organização muda vidas.

Se a nossa casa estiver organizada todos os dias saímos para o trabalho com outra disposição porque a roupa está no sítio certo, porque temos tempo de tomar o pequeno almoço, etc. É outra forma de começar o dia, uma forma tranquila com tempo. No final do dia quando regressamos a casa, esta acolhe-nos e ajuda-nos a descansar, a nutrir e a regenerar para o dia seguinte. Não é fantástico?

“Penso que as empresas precisam de organizar-se a si e aos seus ambientes para garantir o bem-estar dos colaboradores”.

Qual deve ser o papel das organizações para contribuírem para um maior equilíbrio da vida profissional e pessoal?
Penso que as empresas precisam de organizar-se a si e aos seus ambientes para garantir o bem-estar dos colaboradores. Se esse investimento for feito no espaço corporativo as pessoas tornam-se mais produtivas, menos propensas a erros, ao stress, e os conflitos deixam de existir. As empresas que têm este tipo de preocupação são mais produtivas e as taxas de absentismo muito baixas, existindo uma satisfação global dos colaboradores.

O que é preciso para que os trabalhadores sejam mais felizes em Portugal?
Volto um pouco a minha resposta anterior. Tem de existir equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. E muitas vezes por falta de organização não existe este equilíbrio. Quando digo falta de organização quero dizer organização do tempo, organização das pessoas, organização de meios, etc.

Quais os clientes com que trabalha atualmente?
Apenas posso partilhar que temos clientes privados e empresariais, mas não posso falar em nomes, porque uma das nossas regras, e que para nós é muito importante, é a privacidade e a confidencialidade dos nossos clientes.

Como vê a Home Optimizer dentro de um ano?
Vejo-a como uma empresa consolidada no mercado, com mais clientes e novos serviços para dar resposta às necessidades das solicitações que nos chegam. Teremos fãs em vez de clientes.

Projetos para o futuro?
Temos dois projetos em fase de conceção e preparação que ainda não posso partilhar, mas posso dizer que vão ser muito especiais e diferentes.

O que ainda lhe falta realizar?
Falta-me ajudar muitas pessoas a serem felizes através da organização e falta-me consolidar a marca e a empresa Home Optimizer.

FONTE: LINK TO LEADER

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