Médicos, farmacêuticos e engenheiros bioquímicos fazem parte de um grupo de 25 alunos que iniciaram, esta sexta-feira, a primeira pós-graduação em boas-práticas de produção aplicadas à canábis medicinal em Portugal, no Laboratório Militar, em Lisboa.

A formação resulta de uma iniciativa conjunta do Observatório Português de Canábis Medicinal (OPCM), do Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL), em parceria com a Associação para o Desenvolvimento do Ensino e Investigação em Microbiologia, adiantou o OPCM em comunicado.

A lei da canábis medicinal, que entrou em vigor no dia 01 de fevereiro, estabeleceu o quadro legal para a utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais.

"Desta forma toda a cadeia de produção e desenvolvimento, desde o cultivo da planta à sua preparação e distribuição, deve ser monitorizada e controlada, para garantir que todos os produtos são produzidos de acordo com as boas práticas e requisitos aplicáveis, como a certificação GMP [Good Manufacturing Practices]", afirmou o diretor do programa, Rui Loureiro, professor Convidado da FFUL.

Para Rui Loureiro, este imperativo cria "novos desafios a todos os intervenientes no circuito farmacêutico".

"Portugal tem nesta ocasião uma janela dourada para fazer exportação, criar emprego jovem fora das grandes cidades, e altamente qualificado, mas para isso é preciso formar quadros especializados para as necessidades objetivas desta indústria", defendeu o especialista em farmacêutica industrial e membro do Board European Health Futures Forum, em declarações à agência Lusa.

No seu entender, este será o "grande valor competitivo" de Portugal nesta indústria "altamente regulamentada".

"Portugal não é competitivo só pelo clima. Qualquer país na orla do Mediterrâneo e noutras zonas pode fazer cultivo destas plantas, e já estão a fazê-lo. Se queremos ser competitivos tem de ser por uma única matéria diferenciadora, ter técnicos altamente qualificados"", sustentou à Lusa.

Segundo o OPCM, as duas primeiras edições da Pós-Graduação, que já estão esgotadas, contam com alunos de todas as áreas relacionadas com o ciclo de produção da canábis para fins medicinais, desde o cultivo à extração, passando pelo armazenamento ou distribuição, entre muitas outras.

A primeira pós-graduação decorre até 14 de dezembro, arrancando a segunda edição em janeiro de 2020.

Rui Loureiro destacou a importância desta formação reconhecida na própria lei da canábis medicinal.

"É o nosso contributo para que Portugal tenha oportunidade de vingar nesta indústria exportadora e criadora de emprego jovem, qualificado e fora das grandes áreas urbanas", onde boa parte das empresas tem projetos em análise ou em montagem.

Pin It

Angra do Heroísmo

Ilha Terceira

Notícias Regionais

Economia

Startups

Outras Notícias

Cultura

Saúde

Sociedade

Tecnologia

Motores

Tecnologia