A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) criticou hoje a falta de ligações aéreas e marítimas para a ilha de São Jorge e exigiu soluções "urgentes e eficazes" ao Governo Regional dos Açores.

“A falta de acessibilidades de e para a ilha de São Jorge é muito grave e está a provocar graves problemas sociais e económicos. Ao nível do transporte aéreo, não há lugares disponíveis nos aviões de e para a ilha durante vários dias consecutivos, não permitindo aos jorgenses saírem ou regressarem a São Jorge, nem aos turistas o agendamento atempado das suas viagens”, afirmou a direção da CCAH, em comunicado de imprensa.

O alerta da associação, que representa empresários das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, surge na semana em que se comemorou o Dia da Região Autónoma dos Açores, precisamente na ilha de São Jorge, no concelho da Calheta.

Nas reações ao discurso do presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, vários partidos da oposição alertaram também para a falta de lugares disponíveis nas ligações aéreas inter-ilhas.

Na sequência de uma reunião com mais de duas dezenas de empresários daquela ilha, a CCAH reivindicou hoje um “aumento considerável” do número de lugares disponíveis na companhia aérea açoriana SATA Air Açores, mas também mais ligações marítimas.

"Os empresários da ilha que muito têm investido para o desenvolvimento de São Jorge sentem-se frustrados pela falta de resposta do Governo Regional relativamente a estes temas e pedem soluções urgentes e eficazes", sublinhou.

Segundo a associação empresarial, "a falta do navio da Atlânticoline e os horários dos barcos atualmente em vigor são altamente prejudiciais para São Jorge" e desde 2007 que a ilha aguarda por "ligações diárias com o Pico em horários laborais".

A empresa de transportes marítimos pública dos Açores Atlânticoline anunciou recentemente que teve de fretar outro navio convencional para assegurar a operação de verão, porque o armador do Azores Express, que estava previsto chegar ao arquipélago em maio, rescindiu contrato em 09 de junho.

As ligações marítimas de passageiros e viaturas têm sido asseguradas apenas pelo navio rápido Megajet e por navios mais pequenos, que ligam as ilhas do Faial, Pico e São Jorge e as ilhas das Flores e do Corvo.

Os empresários avisaram ainda para o “decréscimo populacional” de São Jorge e para a “ausência de mão-de-obra qualificada, sobretudo nos setores em maior crescimento na ilha”, como o turismo e a construção civil, alegando que “a situação vem piorando e degradando-se”.

“É fundamental que haja um funcionamento integrado em rede ao nível dos transportes marítimos e aéreos, para que a ilha não aprofunde ainda mais o isolamento em que persiste e possa atrair mais população qualificada”, frisaram.

 

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