O programa de incentivo ao investimento privado nos Açores (Competir +) já registou um volume de candidaturas superior a 500 milhões de euros, desde que foi criado, em 2015, gerando mais de 2.600 novos postos de trabalho.

"Estamos, por isso, a falar de valores sem paralelo na nossa história", destacou hoje o deputado socialista Carlos Silva, durante um debate de urgência na Assembleia Legislativa dos Açores, acrescentando que estes números demonstram uma "evolução muito positiva" do investimento privado no arquipélago, uma ideia contestada por alguns partidos da oposição.

Para o deputado do PS, estes números são ainda mais "impressionantes" se se tiver em conta o facto de os Açores serem uma região ultraperiférica, que concorre num mercado "cada vez mais competitivo".

"Estes dados confirmam que os Açores são, de facto, um investimento seguro e rentável, onde é possível conciliar os negócios com excelentes condições de vida e de bem-estar", frisou o parlamentar socialista.

O aumento do investimento privado nos Açores irá provocar, no entender do vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) regional e terá um impacto muito positivo na economia, em especial no setor da construção civil.

"Os sistemas de incentivos fomentam e vão continuar a fomentar investimentos no setor da construção civil, superior a 200 milhões de euros, o que permitirá alavancar o crescimento deste setor", declarou o governante socialista.

Porém, a bancada do PSD, pela voz do deputado Vasco Viveiros, criticou o que considerou ser um "teatrinho" entre a bancada do Governo dos Açores e a bancada do partido maioritário, que suporta o executivo, com o único objetivo de se elogiarem mutuamente, em vez de debaterem "os problemas dos açorianos".

"Duvidamos que os milhares de açorianos que sofrem do insucesso de muitas políticas públicas acreditem e valorizem este teatrinho de encomenda que é, na verdade, um péssimo serviço à democracia", apontou o parlamentar social-democrata.

Quanto ao sistema de incentivos, a bancada do PSD lamentou que o executivo socialista tenha "canalizado a maior parte dos recursos financeiros europeus" para as entidades públicas regionais e não para o investimento privado.

Já Alonso Miguel, da bancada do CDS, realçou a importância dos incentivos públicos ao investimento privado no arquipélago, que considerou serem o "motor" necessário para "alavancar a economia regional".

"Este investimento é fundamental para o crescimento da economia e para a criação sustentada de emprego na região", explicou o parlamentar centrista, acrescentando que, por essa razão, o CDS também defende o apoio às empresas regionais.

Paulo Mendes, deputado do Bloco de Esquerda, reconheceu também que o Competir + tem contribuído para a criação de riqueza nos Açores, mas lembrou que "o problema está na forma como essa riqueza é distribuída" e lamentou que o assunto nunca tenha sido discutido no parlamento açoriano.

Já Paulo Estêvão, do PPM, discorda do modelo de incentivos criado pelo Governo socialista, que, no seu entender, não gera a riqueza prometida pelos sucessivos dirigentes do PS ao longo de mais de duas décadas.

"Nós temos uma forte oposição ao modelo que vossas excelências têm trazido aos Açores, porque não produz o crescimento necessário", criticou o parlamentar monárquico, recordando que o PS prometeu transformar os Açores numa das regiões "mais ricas da Europa", quando não passa de "uma das regiões mais pobres".

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