Foi confirmado um caso de peste negra esta terça-feira na região autónoma da Mongólia Interior, China, e um segundo caso suspeito. As autoridades sanitárias da China estão em alerta máxima, mas afinal que doença é esta e que razões temos para nos preocupar?

A peste negra ficou conhecida por ter sido a pandemia mais devastadora registada na história da humanidade, dizimando cerca de metade da população europeia, segundo algumas estimativas, no século XIV, atingindo o pico na Europa entre os anos de 1347 e 1351.

Esta praga é uma infeção potecialmente fatal causada pela bactéria yersinia pestis. Esta bactéria vive habitualmente em pequenos mamíferos que carregam pulgas infetadas.
A peste bubónica é a forma mais comum da doença que as pessoas podem contrair. O nome vem dos sintomas que causa - linfonodos dolorosos e inchados ou "bolhas" nas virilhas ou nas axilas.

De 2010 a 2015, foram registrados 3.248 casos em todo o mundo, incluindo 584 mortes. A peste é uma das doenças mais mortais da história da humanidade, mas atualmente pode ser tratada com antibióticos.

Nos últimos anos têm surgido pequenos surtos em Madagáscar, República Democrática do Congo e Peru.

Os sintomas e o curso da doença
No caso da peste bubónica, os sintomas geralmente aparecem após um período de um a sete dias e, sem tratamento com antibióticos, a doença apresenta uma taxa de letalidade entre 30% e 60%.
Além dos linfonodos - gânglios inchados que se assemelham a bolhas - aumentados e sensíveis, outros sintomas incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e cansaço.

Os pulmões também podem ser afetados, causando tosse, dores no peito e dificuldades respiratórias.

A bactéria que causa a doença também pode entrar na corrente sanguínea e causar uma condição chamada septicemia ou sépsis, que pode levar a danos nos tecidos, falência de órgãos e morte.

Como se pode ser infetado?
Uma pessoa pode ser infetada ao ser picada por pulgas infetadas, ao tocar em animais que possam estar infetados, como ratos por exemplo, ou ainda inalação de gotículas respiratórias infetadas espalhadas por pessoas ou animais infetados.
Cães e gatos domésticos podem ser infetados por picadas de pulgas ou pela ingestão de ratos infetados.

A infeção também pode entrar na corrente sanguínea através de um corte na pele se a pessoa entrar em contato próximo com o sangue de um animal infetado.

Atualmente, a China proibiu a caça e o consumo de animais que podem levar à peste. O corpo de um paciente infetado também pode infetar outras pessoas que estão em contato próximo, como por exemplo quem prepara o corpo para o enterro.

Há tratamento?
O tratamento para este tipo de infeção é atrvés de antibióticos. Caso o paciente não procure tratamento, a doença é fatal.

O diagnóstico precoce é, por isso, fundamental e capaz de salvar vidas. Exames feitos em laboratório ao sangue e outras amostras corporais permitem confirmar, ou não, um caso de peste negra.

É possível que exista uma nova pandemia de peste negra?
A peste negra continua a existir, embora em números reduzidos, em alguns países do mundo como é o caso de Madagáscar, República Democrática do Congo e Peru onde existiram surtos nos últimos anos.

Apesar de ter sido extremamente grave nos tempos medievais, atualmente, os números são bastante reduzidos.

Matthew Dryden, microbiologista consultor da Universidade de Southampton, no Reino Unido, assumiu algum otimismo relativamente a este novo caso.

"É bom que isso tenha sido detetado e relatado num fase inicial porque pode ser isolado, tratado e impedido de disseminação", disse à BBC.
"Ao contrário do Covid-19, [a peste negra] é tratada com antibióticos. Portanto, embora isso possa parecer alarmante, sendo outra importante doença infecciosa emergente do Oriente, parece ser um único caso suspeito que pode ser prontamente tratado", concluiu.

Em declarações à Lusa a propósito dos casos reportados na China, o infeciologista Jaime Nina, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, explicou que, na ausência de antibióticos e quando uma pessoa é infetada e o organismo não consegue travar a disseminação da bactéria, em cerca de metade dos casos dá uma infeção fulminante e morte.

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