Passou a ser obrigatório o uso de "máscara ou viseira" em várias situações do dia-a-dia. Mas qual a diferença entre elas? E será que uma substitui a outra?


Portugal entrou numa “nova normalidade”. Depois de semanas a fio com a economia quase paralisada pelo coronavírus, alguns estabelecimentos puderam reabrir, ainda que sujeitos a medidas apertadas de higiene e distanciamento social. Uma das grandes novidades para os cidadãos é a obrigatoriedade de uso de máscara em várias situações do dia-a-dia, que pode mesmo resultar em multa caso se circule em transportes públicos sem proteção individual.

Máscaras obrigatórias nos transportes. Coima de 120 euros

Esse novo dever cívico, que tem caráter de lei, está explícito num decreto-lei publicado a 1 de maio no Diário da República. No documento, o Governo indica que “é obrigatório o uso de máscaras ou viseiras” nos locais públicos fechados e na utilização de transportes coletivos de passageiros. Mas qual é a diferença entre máscaras e viseiras? O que protege cada uma? E será que uma pode substituir a outra?

As respostas às duas primeiras questões estão no mini-site da Direção-Geral da Saúde (DGS) dedicado ao Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Máscaras faciais, de uso único ou reutilizáveis são máscaras para utilização comunitária que não são consideradas dispositivos médicos. “Devem ser encaradas como uma medida complementar às recomendações gerais de proteção e em contexto de distanciamento social, não podendo substituir-se a estas”, escreve a DGS. Este tipo de máscaras garante “um nível mínimo de filtração de 70%” e permite “quatro horas de uso ininterrupto sem degradação da capacidade de retenção de partículas nem da respirabilidade”, acrescenta a entidade.
Ou seja, as máscaras ajudam a filtrar o ar de partículas suspensas no ar ou projetadas, que estejam potencialmente contaminadas pelo novo coronavírus, ao mesmo tempo que protege o meio de algumas das partículas projetadas pelo utilizador, uma das principais formas de propagação deste agente infeccioso.

A máscara é uma proteção acrescida para o utilizador e para quem o rodeia.

Já as viseiras são dispositivos que conferem “proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas”, sendo reutilizáveis. De acordo com a DGS, a viseira “deve envolver a face e garantir bom comportamento à transpiração, de material inquebrável, com fita regulável”. São como proteções transparentes que tapam todo o rosto do utilizador, que se ajustam à parte de trás da nuca. No entanto, de acordo com a DGS, “não conferem proteção respiratória contra agentes biológicos”, ao contrário das máscaras. Além disso, são abertas na parte inferior.

A viseira protege o rosto de salpicos ou líquidos contaminados, mas não confere proteção respiratória contra o novo coronavírus.

Em suma, apesar de a lei fazer referência ao uso de máscara “ou” viseira, estes dois equipamentos não têm a mesma função. A diferença também foi explicada pela diretora-geral da Saúde na habitual conferência de imprensa diária sobre o balanço da pandemia em Portugal.

“A viseira não é um método que dispense utilização de uma máscara. Protege muito bem os olhos e o nariz, mas já não protege muito bem de espirros, porque é aberta em baixo”, salientou Graça Freitas.

Médicos querem mudança da lei
Entretanto, a Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas vieram alertar também para os riscos que a utilização de viseiras, em vez de máscaras, representa em termos de saúde pública e pedem que o governo altere a legislação.

Num comunicado conjunto citado pela Lusa, consideram que a legislação publicada a 1 de maio, que equipara as máscaras às viseiras, pode comprometer os resultados obtidos até agora no combate à pandemia do Covid-19 pois a viseira “é um bom elemento de proteção a nível ocular, confere alguma proteção das vias áreas a quem a usa, mas não confere proteção às outras pessoas”.

“Não existem estudos sólidos sobre o impacto da utilização da viseira, como alternativa à máscara, na redução do risco de contágio pelo novo coronavírus em termos de infeção através das vias aéreas”, insistem.

 

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