É menos mortal que o da Sars (Síndrome Respiratório Aguda Severa), mas mais transmissível, afirmou este domingo o diretor do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças. Com os especialistas ainda a tentarem perceber melhor a epidemia que surgiu em Wuhan, começam a ficar mais claros alguns aspetos do 2019-nCoV. A origem exata do vírus, qual o hospedeiro (animal) e se houve ou não um hospedeiro intermediário são ainda questões sem resposta.

QUE VÍRUS É ESTE?
Os coronavírus pertencem a uma família de vírus que, na maioria dos casos, circulam entre animais, como aves, morcegos e pequenos mamíferos. No ser humano causam normalmente doenças respiratórias, que vão desde as simples constipações até pneumonias.

Até agora, apenas os coranavírus associados à Sars - Síndrome Respiratória Aguda Grave (o 2019-nCoV é 88% geneticamente igual) e à Síndrome Respiratória do Médio Oriente tiveram capacidade de atravessar a barreira das espécies, transmitindo-se a humanos.

Os primeiros casos da atual epidemia apareceram em meados de dezembro em Wuhan, quando os hospitais começaram a receber pessoas com uma misteriosa pneumonia viral. Todas elas trabalhavam ou frequentavam regularmente o mercado de marisco e carnes da cidade, entretanto encerrado, pelo que se acredita que na origem da doença terão estado animais infetados, comercializados vivos.

COMO E DE ONDE SURGIU?
A principal suspeita é que (como o Mers e o Sars) o coronavírus tenha surgido em morcegos, ainda que seja necessário mais um hospedeiro para chegar aos humanos. De acordo com um estudo publicado no Journal of Medical Virology, duas cobras chinesas podem ter tido esse papel: a Bungarus multicinctus e Naja atra, ambas vendidas no mercado de Wuhan. É uma hipótese, já que cientificamente nada está provado.

QUAIS OS SINTOMAS?
São mais intensos do que uma gripe. Incluem febre alta, dificuldade em respirar e lesões pulmonares. Pensa-se que o período de incubação seja de duas semanas.

COMO SE TRANSMITE?
Inicialmente pensou-se que só poderia passar de animais a humanos, mas depressa as autoridades chinesas confirmaram que o vírus é transmissível entre humanos, após vários profissionais de um hospital terem ficado infetados depois de tratar um doente.

Acreditou-se depois que o contágio só ocorria em contexto de grande proximidade, com beijos ou abraços, mas os dados mais recentes justificam uma preocupação maior. Aparentemente o vírus pode ser transmitido antes mesmo de aparecerem os sintomas, não sendo necessário haver contacto - basta alguém espirrar ou tossir.

COMO SE TRATA?
Aos doentes estão a ser aplicadas medidas de suporte, que apenas tratam os sintomas da doença, como a febre ou dificuldades respiratórias. Não há por enquanto um medicamento específico para o 2019-nCoV.

QUAL O BALANÇO MAIS RECENTE?
Esta terça-feira a China elevou para 106 o número de mortos causados pelo coronavírus, tendo sido detetados quase 1.300 novos casos, o que aumenta o balanço para mais de 4.000 infetados.

Além do território continental da China, também foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Alemanha, Austrália e Canadá.


As autoridades chinesas já admitiram que a capacidade de propagação do vírus se reforçou.

QUE MEDIDAS ESTÃO A SER TOMADAS?
O foco das medidas para tentar travar a propagação do vírus começou por ser Wuhan, com a cidade a ser isolada. À decisão de suspender os transportes públicos e de cancelar os voos de saída, juntou-se a recomendação para a população permanecer em casa, com as medidas a serem alargadas depois a várias outras cidades chinesas.

Simultaneamente, a Comissão Nacional de Saúde da China procurou identificar todas as pessoas que saíram de Wuhan nos últimos 15 dias e, no domingo, foi anunciada a proibição da venda de animais selvagens vivos nos mercados, supermercados, restaurantes ou plataformas de comércio eletrónico em todo o país.

Outros países adotaram também medidas de prevenção, sobretudo controlando a entrada de passageiros vindos da China. A Mongólia acabou por ser o primeiro país a fechar as fronteiras terrestres com a China, já depois de a Malásia ter proibido os moradores da província chinesa de Hubei - a mais afetada pela transmissão do coronavírus - de viajarem para Kuala Lumpur e outras cidades do país.

Na Coreia do Norte, a companhia aérea estatal proíbe (desde o dia 22) a entrada no país de estrangeiros e chineses vindos de voos com partida de Pequim.

Quanto a operações de repatriamento, Estados Unidos, França e Japão estão entre os países a organizar a retirada dos seus cidadãos de Wuhan. Portugal está também a delinear um plano para o fazer. A embaixada de Portugal em Pequim anunciou estar a tratar das autorizações necessárias para que um avião possa chegar à região e recolher os cidadãos que já mostraram vontade de sair.

“O que vamos fazer com as pessoas depende da avaliação do risco inicial. Quando chegarem, serão submetidos a um inquérito epidemiológico e veremos a ligação que possam ter tido a outros doentes e animais vivos. Dependendo do risco inicial, a vigilância pode ser passiva ou ativa", explicou a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas.

Assim, os portugueses poderão mesmo ter de se resguardar apenas em casa, em vez de ficar em quarentena num hospital.

FONTE:EXPRESSO

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