Integração do Carnaval da Terceira no património nacional será colocado em consulta pública, durante um mês, a partir do dia 17 de fevereiro

O processo de inscrição das danças, bailinhos e comédias da ilha Terceira no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial será colocado em consulta pública no dia 17 deste mês, foi ontem anunciado em Diário da República.

“A presente consulta pública terá a duração de 30 dias, com início a 17 de fevereiro de 2020”, lê-se no anúncio da Direção-Geral do Património Cultural.
Durante quatro dias, entre o sábado e a terça-feira de Carnaval, mais de 30 salas de espetáculos da ilha Terceira recebem centenas de músicos e atores amadores, que atuam de forma gratuita, madrugada dentro, em manifestações de teatro popular com crítica social, intercalados com música e coreografias, a que chamam de danças de pandeiro ou de espada, bailinhos e comédias.

Os elementos constantes do processo de inventariação estarão “disponíveis para consulta em linha através do sistema MatrizPCI (https://www.matrizpci.dgpc.pt/), sistema de informação de suporte ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”.

As observações ao processo podem ser apresentadas neste sistema ou endereçadas, em correio registado, à Direção-Geral do Património Cultural, que terá 120 dias, após a conclusão do período de consulta pública, para tomar uma decisão sobre o pedido de inventariação.

Em setembro de 2013 foi aprovada, por unanimidade, uma resolução na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, apresentada pelo PSD, que recomendava ao Governo Regional que efetuasse as diligências necessárias para a classificação destas manifestações tradicionais como Património Cultural Imaterial de Portugal.
Entre 2016 e 2018, a direção regional da Cultura dos Açores recolheu registos de áudio, fotografias e entrevistas, tendo elaborado um “dossiê com quase 500 páginas” sobre estas manifestações culturais.

No final de janeiro, a diretora regional da Cultura dos Açores, Susana Goulart Costa, disse esperar que o processo do “primeiro inventário formal de uma manifestação intangível dos Açores” estivesse concluído até maio ou junho.

“Calculo que se tudo correr, como eu espero, dentro destes ‘timings’ formais, no mês de maio ou junho, as danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira estarão oficialmente reconhecidos como património imaterial a nível nacional”, avançou, na altura, em declarações aos jornalistas, à margem do II Congresso Internacional do Carnaval da Terceira, realizado na vila das Lajes.
Segundo a diretora regional da Cultura, uma eventual candidatura do Carnaval da ilha Terceira ao Património Imaterial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) “vai depender muito da comunidade e da envolvência”, mas a integração no inventário nacional é um “passo importante”.
Susana Goulart Costa realçou, por outro lado, que com este inventário será possível acompanhar a evolução das manifestações culturais ao longo dos anos, o que permitirá preservar as danças e bailinhos de Carnaval.

O executivo açoriano pretende apoiar também candidaturas à integração no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial das romarias quaresmais, existentes sobretudo na ilha de São Miguel, e das festas do Espírito Santo.

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